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sábado, 28 de julho de 2012

Londrina, Cemitério de Automóveis, final de julho, 2012


O bar em que estou é um lugar original. Algumas pessoas na faixa dos quarenta pra cima (a maioria mulheres) sobem ao palco para ler poesias diante do microfone. O centro cultural é tocado por um barbudo que se chama Mário. Que cara de comuna ele tem.

Algumas mulheres leem poesias bem sacanas. Fico imaginando como estão suas vidas sexuais. Poesias eróticas são legais.

A única cerveja do bar é Itaipava, por quatro reais. Nada mal. Tem um monte de cartazes do festival literário de Londrina pelas paredes, o Londrix. Queria conhecer. A Mônica, sentada aqui do lado, bebe sua cerveja distraída enquanto ouve as poesias. Trouxemos nossos trampos no painel de pvc. Por enquanto não vendemos nada, mas tudo bem, o lugar é legal.

Tem uma mulher do outro lado da grande mesa em que estou. Ela tem aquele cabelo preto, chanel, usa óculos que a deixam com pinta de cult. Deve ter pouco mais de trinta. O Evangelista, o cara que nos convidou pra vir aqui, diz que tem um caso com ela, embora ela negue. Ele é um pintor decadente. Faz tempo que já é velho e feio, imagino. Vende quadros no centro com os outros malucos. Parece um bom sujeito, desses que tem alma.

Passou um tempo e eu pensei que não ia vender nada. Aí chegou um cara que se apresentou como Vitão. Ele deu 50 pilas por um exemplar de cada um dos meus textos e mais uma das camisas da Mônica. Ficamos os dois num alto astral depois disso. Quando acabou o recital, dançamos improvisando uns passos de forró. Estávamos felizes.


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