O bar em que estou é um lugar original. Algumas
pessoas na faixa dos quarenta pra cima (a maioria mulheres) sobem ao palco para
ler poesias diante do microfone. O centro cultural é tocado por um barbudo que
se chama Mário. Que cara de comuna ele tem.
Algumas mulheres leem poesias bem sacanas. Fico
imaginando como estão suas vidas sexuais. Poesias eróticas são legais.
A única cerveja do bar é Itaipava, por quatro
reais. Nada mal. Tem um monte de cartazes do festival literário de Londrina
pelas paredes, o Londrix. Queria conhecer. A Mônica, sentada aqui do lado, bebe
sua cerveja distraída enquanto ouve as poesias. Trouxemos nossos trampos no painel
de pvc. Por enquanto não vendemos nada, mas tudo bem, o lugar é legal.
Tem uma mulher do outro lado da grande mesa
em que estou. Ela tem aquele cabelo preto, chanel, usa óculos que a deixam com
pinta de cult. Deve ter pouco mais de trinta. O Evangelista, o cara que nos
convidou pra vir aqui, diz que tem um caso com ela, embora ela negue. Ele é um
pintor decadente. Faz tempo que já é velho e feio, imagino. Vende quadros no
centro com os outros malucos. Parece um bom sujeito, desses que tem alma.
Passou um tempo e eu pensei que não ia vender
nada. Aí chegou um cara que se apresentou como Vitão. Ele deu 50 pilas por um
exemplar de cada um dos meus textos e mais uma das camisas da Mônica. Ficamos
os dois num alto astral depois disso. Quando acabou o recital, dançamos
improvisando uns passos de forró. Estávamos felizes.
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