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sábado, 21 de julho de 2012

Curitiba, 21 de julho de 2012, sábado


Agora há pouco, quando olhei esse caderno tive um certo trabalho pra me convencer de que foi ontem que escrevi pela última vez. Os dias são tão longos quando se vive sem perda de tempo.
                                            
Ontem à noite saímos com o Roberto e a Márcia para beber. Ficamos na fila esperando pra entrar num bar chique. Bebemos até ficar no brilho e saímos. Eles nos convidaram pra ir dançar num bailão. Fazia muito tempo que eu não ia num lugar desses. Lá todo mundo tinha jeitão de pobre e uma certa vulgaridade no dançar. Me senti em casa.

Depois de dançar um monte de músicas sertanejas, chegamos em casa e fomos dormir. Acordamos pela manhã (o que é raro) e fomos trabalhar na praça em frente à Reitoria da Universidade Federal. Lá estavam uns malucos que havíamos conhecido no dia anterior. O seu Norberto, um gaúcho desses apaixonados pelo Rio Grande, foi muito simpático com a gente. É um daqueles tipos que sozinhos parecem encher uma casa inteira com suas piadas e fanfarronices.

Além dele e de outros, tem o Chileno. O cara tem um tipão meio magal. Usa uns óculos escuros, roupas de gurizão, embora tenha pra lá de quarenta. Ele me contou que sustenta a família com os badulaques que vende. E com o artesanato do grão de arroz. “Xô escribo asta cuatro noumbres nun grano de arrô”, é o que eu ouço da fala dele, cheia de sotaque.

Vendo que a gente não ganha nenhum dinheiro, ele veio e se ofereceu para ensinar essa técnica. Disse que poderia ajudar a ganhar alguma coisa na estrada. Cara legal.

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