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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Curitiba, posto Guarani, 23 de julho de 2012, segunda-feira


Aquela sensação de que se está vivendo um momento do qual você se lembrará por muito tempo está presente. O céu está azul, os caminhões roncam seus motores, tem uma cadela aqui, de pelo castanho. Ela parece desejar boa viagem, mas na verdade só quer descolar o desejum. 

Acabamos de tomar o café da manhã aqui mesmo. Comemos massinha com margarina e mortadela.

Quem será que vai nos dar a primeira carona? A vida é um universo de possibilidades.


Mais tarde

Pegamos carona!

O Jessé é um caminhoneiro rechonchudo de uns trinta e poucos anos que diz que o Brasil é um país abençoado. Ele mexe no celular e dirige. Perguntei como as coisas tem ido. “Se eu falar que não ta bom é por ser sem vergonha, por ser jaguara mesmo. Tô tão bem que tô até desconfiando.” O Mercedez dele, que os filhos apelidaram de Polaquinho, roda bem, embora não seja muito potente. Ele diz que queria mesmo é ter um Scânia.

O Jessé faz poucas e rápidas paradas. Dez minutos para almoçar, cinco para ir ao banheiro. “Tenho que acelerar”, explica, “senão não venço as prestações do caminhão”.

A estrada se espicha em curvas, subidas e descidas.

No meio da viagem encontramos uma hippie. O Jessé quis dar carona pra ela também. Ela contou estar na estrada desde os 15. Agora tem 26. “To cansada de carregar peso, de dormir em posto de gasolina. Quero alugar um cantinho pra mim”. Ela contou que estava vivendo com um caminhoneiro. Só que ele era muito muquirina. Reclamava até de quanto ela comia. Aí ela encheu o saco, mandou ele parar o caminhão e saiu andando por uma rodovia que da acesso a São Paulo. Simplesmente mudou de lado e apontou o dedo até chegar ali, no Paraná. Seu destino final era Maringá.

E lá estávamos nós quatro no mesmo caminhão. Reunidos por puro acaso.

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