Aquela sensação de que se está vivendo um
momento do qual você se lembrará por muito tempo está presente. O céu está
azul, os caminhões roncam seus motores, tem uma cadela aqui, de pelo castanho.
Ela parece desejar boa viagem, mas na verdade só quer descolar o desejum.
Acabamos de tomar o café da manhã aqui
mesmo. Comemos massinha com margarina e mortadela.
Quem será que vai nos dar a primeira carona? A
vida é um universo de possibilidades.
Mais
tarde
Pegamos carona!
O Jessé é um caminhoneiro rechonchudo de uns trinta e poucos anos que diz que o Brasil é um país abençoado. Ele mexe no celular
e dirige. Perguntei como as coisas tem ido. “Se eu falar que não ta bom
é por ser sem vergonha, por ser jaguara mesmo. Tô tão bem que tô até
desconfiando.” O Mercedez dele, que os filhos apelidaram de Polaquinho, roda
bem, embora não seja muito potente. Ele diz que queria mesmo é ter um Scânia.
O Jessé faz poucas e rápidas paradas. Dez
minutos para almoçar, cinco para ir ao banheiro. “Tenho que acelerar”, explica,
“senão não venço as prestações do caminhão”.
A estrada se espicha em curvas, subidas e
descidas.
No meio da viagem encontramos uma hippie. O
Jessé quis dar carona pra ela também. Ela contou estar na estrada desde os 15.
Agora tem 26. “To cansada de carregar peso, de dormir em posto de gasolina.
Quero alugar um cantinho pra mim”. Ela contou que estava vivendo com um caminhoneiro.
Só que ele era muito muquirina. Reclamava até de quanto ela comia. Aí ela
encheu o saco, mandou ele parar o caminhão e saiu andando por uma rodovia que
da acesso a São Paulo. Simplesmente mudou de lado e apontou o dedo até chegar
ali, no Paraná. Seu destino final era Maringá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário